Escolhendo a Motocicleta

Ultimamente tenho respondido a muitas consultas de colegas motociclistas, que estão pensando em trocar de motocicleta. Felizmente hoje no Brasil temos a nossa disposição um considerável número de modelos, o que só me faz pensar que aumentam nossas chances de acertar. Portanto vou reproduzir aqui parte do texto publicado na Revista T-MOTO, segunda edição, que podemos conferir no link: http://www.magtab.com/leitor/262/edicao/1589 ou no site www.tmoto.com.br.

Os escritos abaixo são apenas introdutórios e pretendo logo em seguida expor outras idéias sobre o mesmo assunto.

A Melhor do Mundo!

Chegamos à segunda edição da TMoto e aqui estou novamente. Lembram-se do viajante com um scooter Citycom na nossa edição número 1? Neste link você pode revê-la: www.magtab.com/leitor/262/edicao/888. Invertemos a posição e agora invés de ser notícia, escrevo para vocês. Como na viagem, aqui tenho a alma livre. Ganhamos este espaço para viajar pelo motociclismo e tudo que envolve esse mundo apaixonante, como segurança, equipamentos, motos, competições, notícias, turismo e aventuras sobre duas rodas. Conversando com meu amigo e nosso editor Fabiano Godoy, recebi uma única missão: “Faça com paixão!”. Impossível seria fazer sem ela, pois escolhi estar aqui e faço o que gosto.

Quando o Fabiano, antes mesmo do lançamento da primeira edição, me procurou para que publicássemos a viagem e iniciássemos nossa parceria, meus olhos logo brilharam com a idéia de uma revista que eu poderia ler sem ter que ir até a banca, sem que fosse usado papel para impressão e distribuída de forma gratuita para o leitor. Dois aspectos foram definitivos para que eu enxergasse aqui uma fórmula de sucesso; a possibilidade de inserção de múltiplas fotos e vídeos, pois diversas vezes, lendo testes na mídia impressa, eu ficava sedento por mais fotos, do painel, de detalhes do acabamento, laterais, frente, traseira, da moto com piloto e com garupa; e a possibilidade de arquivar as revistas, em ordem, guardar o conteúdo para eventuais comparativos entre motos de uma edição e outra e consultar no momento de comprar uma moto usada. Isso tocou em algo que trago comigo da infância, pois lamento muito, que a vida tenha obrigado a me desfazer das minhas revistas de moto, perdi a conta de quantas comprei e ganhei desde que sou criança, quanta informação interessante havia lá e realmente sinto uma falta imensa delas.

Aproveitando que estamos falando de excelência, antes que vocês pensem que o título seja exageradamente pretensioso e trate sobre a nossa publicação, aproveito a viagem de scooter para conversar aqui com vocês sobre a moto ideal, “a melhor do mundo”, ou ainda, a melhor para o seu mundo. Isso mesmo, uma conversa, pois aqui nosso espaço é aberto para críticas, sugestões e opiniões e porque não sou o dono da razão, acredito que teremos leitores que vão discordar e inclusive alguns com mais experiência terão algo a acrescentar. Se eu despertar em vocês um pensamento sobre o assunto que tratamos, estarei satisfeito.

Sempre digo que prefiro surpreender a causar decepções, e uma dica para isso é não criar expectativas. Portanto, já lhes aviso que a melhor moto não existe, tire ela dos seus sonhos, se você tem um modelo com o qual se imagina casado pelo resto da vida e que te fará feliz em todos os momentos esqueça. Digo também que moto tem algo de sapato, cada um veste bem um modelo, pois além de se perguntar como vai utilizar a moto, para você uma pode ficar bem e para seu amigo não, sem falar no gosto.

Se para você for possível definir de forma restrita o uso que fará, já terás uma parte grande do caminho para a escolha percorrido. Por exemplo, se farás uso somente em competições de moto-velocidade na categoria mil cilindradas, ou usarás somente para viagens no asfalto em bom estado com garupa, ou ainda se usarás para trabalhar com entregas rápidas em São Paulo. Alguns serão obrigados a conjugar numa moto, duas ou mais possibilidades, como viagens com e sem garupa, em estradas com pavimento e eventuais estrada de terra.

Temos tantos tipos de motos disponíveis no mercado, como esportiva, super esportiva, custom, trail, big trail, sport-touring, motard e outras que já se tornaram até inclassificáveis, que essa fartura benéfica acaba nos dificultando na escolha.

Principalmente em relação a viagens de moto, percebo escolhas erradas e muita energia despendida na busca da moto ideal. Minha sugestão sobre a escolha da moto para viagem é justamente que você gaste seu tempo pensando no roteiro, estudando tudo que há de bonito para ser visto e onde você deseja ir. Mas para isso teremos outro encontro específico. A realidade de quase todos nós é um orçamento limitado, portanto, primeiro escolha um bom e completo equipamento, faça um cálculo com margem para gastar na viagem, aproveitando todas as atrações e depois com o que sobrar compre a moto nova ou em melhor estado possível, nesse caso, já saindo com todas as peças de desgaste novas, evitando assim perda de tempo e dinheiro com manutenção no meio do caminho. Se você já tem uma moto, junte o desejo com a coragem e vá!

Tenha certeza de que mesmo que não estejas na companhia da moto dos teus sonhos, “a melhor do mundo”, a companheira que você escolher para a viagem, para teu dia-dia ou para competir, será uma fonte enorme de prazer, se bem tratada, irá com você do começo ao fim da jornada.

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T-MOTO

Março de 2013 é o mês do nascimento da quarta edição da Revista T-MOTO, que carrega no seu interior a matéria que produzi, congregando motociclismo, viagem e cultura.

Eclética, podemos devorar ainda nesta edição testes e impressões da Super Ténéré e da Rocket, receber dicas, ver muitas fotos, vídeos, ler sobre moto-velocidade e motocross.

O site é www.tmoto.com.br – Onde podemos achar todas as edições.

E aqui, neste link, vá direto a última edição: http://www.magtab.com/leitor/262/edicao/3212

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Moto Adventure

Uma viagem de moto é um evento atemporal, sem prazo para expirar e que te acompanhará pela vida, colorindo sempre tuas lembranças.

Por isso que lhes convido a desfrutar da leitura da matéria feita por mim para a Revista Moto Adventure, publicada na Edição 147, que foi às bancas na segunda metade do mês passado.

Nessa edição compartilho com os leitores uma aventura à bordo de uma BMW R 1150 GS, durante 40 dias e percorrendo 14.000 quilômetros, tendo comigo, na minha garupa, a companhia da minha mãe. Essa viagem foi feita mais de 1 ano antes do início da viagem com o Citycom. A cada nova aventura me sinto mais preparado, mas sempre tendo a certeza de que a preparação não pode tomar o tempo e as forças a serem empregadas na aventura em sí. Por isso, planeje e vá!

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Sozinho!?

Uma indagação recorrente e feita sempre em tom de exclamação, que escuto desde antes de partir é: “sozinho!?” Assim mesmo com “!” e “?”.

Orgulhoso desde os primórdios desta viagem, sempre digo SIM! Sigo me exibindo contando que além de sozinho vou sem GPS, telefone, seguro, rastreador e etc. Essa resposta positiva refere-se somente à parte extremamente prática da viagem, ou seja, sou o único que senta na moto e acelera e nenhuma outra pessoa está na garupa ou me seguindo em outro veículo.

Quando ao meu amigo Delmar Girardi eu expus a idéia do que na época era a minha próxima viagem escutei dele: “deves fazer e estou aqui para te apoiar no que for necessário”. Compartilhei meus desejos com minha amiga Graziele Zwielewski que de imediato concordou com minha decisão, compartilhou comigo esse momento de felicidade e já sentamos para rascunhar um início de roteiro. Assim foi com meu amigo moto aventureiro Paulo Brandão, que além das palavras de inventivo e apoio, me presenteou com um par de pneus novos para que eu levasse de reserva.

Muitas vezes, após o sim ainda escuto: “Imagina como fica preocupada sua mãe, se meu filho fosse eu não permitiria”, principalmente se uma mulher mãe escuta o meu SIM para o SOZINHO. Minha mãe juntamente com meus amigos foi das primeiras a fazer parte do grupo de incentivo e apoio.

Esses amigos que participaram da decisão de fazer a viagem foram corajosos quando juntos comigo assumiram o risco, quando souberam, somente me escutando e me olhando, desvendar meu real desejo, e por suas experiências de vida, perceberam que somente tentando eu poderia me realizar, eles acreditaram. Recebi também esse apoio do nosso experiente grupo de amigos motociclistas que todas as quartas se reúne no posto e dos outros amigos, com os quais todas quintas fazíamos deliciosos comes, bebes e muita farra no sítio, ambos em Floripa.

Meu amigo Salvador Carlucci foi quem lá de Basel na Suíça, comprou o domínio deste site. O outro amigo Fernando Pedroso foi quem abriu mão de uma manhã de sábado com a família para coletar e despachar meus novos pneus de Sampa para Floripa, e assim outras tantas pessoas fantásticas prestaram favores que sem os quais a viagem teria sido impossível. Recebi de pessoas e empresas equipamentos para fazer a viagem e outros me receberam em suas casas para compartilharmos momentos inesquecíveis. São tantos que fazer uma lista seria injusto e correria o risco de deixar alguém de fora, mas lembro de todos e se um faltasse tudo não seria tão perfeito.

Os depoimentos recebidos, as palavras de apoio, as felicitação e congratulações, o simples e tradicional “boa viagem, vá com deus” são revigorantes, pois em 27.000 quilômetros o que mais se alimentou foi a “alma” e não o estômago.

Outros tantos viajaram comigo através dos fóruns, grupos, sites e facebook, incentivaram, deram dicas e elogios que vieram do Brasil todo e de diversos países como Chile, Argentina, Suíça, Japão, USA, Espanha, Portugal, Peru e outros.

Nos menus lá no topo do site tem a lista dos que patrocinaram, dos que me receberam em seus lares e das concessionárias que prestaram serviços de forma gratuita com qualidade.

Essa é a viagem solo mais bem acompanhada que realizei!

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Serra da Canastra

Numa manhã ensolarada e calorenta em São José do Rio Preto/SP, comecei a sobrepor na minha motoneta, malas e acessórios que comigo carrego. Totalmente decidido a explorar mais algumas atrações mineiras, meu objetivo era chegar a São Roque de Minas, maior cidade da região da Serra da Canastra e distante aproximadamente 500 quilômetros de onde eu estava.

Como todo dia é dia de aprendizado, logo às oito horas da manhã ao pegar as malas laterais da moto senti uma forte dor na base da coluna, na região lombar. Os 30 anos cobram seu preço e sim, uma má postura ao lidar com os pesos da motocicleta e seus acessórios podem sim interromper ou ao menos exigir uma parada durante uma viagem. O ideal é sempre flexionarmos as pernas ao agachar para pegar malas ou até mesmo levantar a moto após uma queda, mantendo a coluna reta. No meu caso o descuido me custou sofrimento e muita dificuldade em sentar e saltar da motoneta. Sim, se formos atentos e seguirmos o rigorismo semântico do nosso Código de Trânsito Brasileiro, o que eu estou pilotando é uma motoneta e não uma motocicleta. A diferença está na posição sentada da motoneta e na posição montada de motocicleta.

Procuro posto na saída, abasteço, paro num caixa eletrônico para sacar uns trocados já pensando que na diminuta cidade para a qual eu me dirigia não estaria disponível tal tecnologia. Pelo que pesquisei, São Roque de Minas tem menos de sete mil habitantes.

Moto na estrada, tudo dentro do padrão mínimo das rodovias brasileiras apesar de estar no estado de São Paulo, que sempre me deixou a percepção de ser detentor das melhores rodovias, até que após passar por Barretos, entro para a direita na Rodovia Prefeito Fábio Talarico. Esse Sr. foi vereador em 2 legislaturas e presidente da Câmara em 2 períodos, e também Vice Prefeito. Foi eleito Prefeito no dia 1º de fevereiro de 1983 no município de Guaíra, mais ao norte de Barretos e por onde passa a rodovia. Se meu nome fosse dado a uma estrada como essa eu realmente iria sentir-me ofendido e solicitaria a mudança dele. A estrada não tem buracos, é ao contrário, ela é o próprio buraco com alguns raros centímetros de asfalto e sem acostamento. Minha motoneta, com pneus de perfis baixos, carregada e aros 16, realmente não foi feita para aquela estrada e por isso minha velocidade quando muito alta chegava a 40 quilômetros por hora.

Depois do martírio na estrada, a única atração do caminho foram os lagos formados pela represa de Furnas já em Minas Gerais. Abasteci em Piumhi e segui, chegando ainda à tarde em São Roque. Hospedei-me na primeira e melhor pousada da cidade. Procurar hotel cansado e torrando de calor é o mesmo que ir ao restaurante ou mercado morrendo de fome. Vi uma piscina e decidi na hora que era ali mesmo que ia ficar.

A pousada ficava na entrada do caminho para a subida do Parque Nacional da Serra da Canastra. Nem mesmo tirei a bagagem da moto e resolvi me aventurar serra a cima. No caminho me arrependi da pressa, pois havia lama e a subida era realmente forte e com pedras, chegando a 1.200 metros de altitude, onde se encontra a chamada nascente histórica, a qual por muito tempo se pensou ser a nascente real. Conhecido como rio da unidade nacional, que em sua primeira queda despenca de uma escarpa da serra de 186 metros de altura formando a Cachoeira Casca D´Anta e percorrendo mais de 3.000 Km banhando cinco estado do Brasil e desaguando no mar entre Alagoas e Sergipe. Tal cachoeira seria meu atrativo do dia seguinte.

Depois de voltar do passeio off road, claro que fui para a piscina, uma sauna quentinha para relaxar, papo com alguns hóspedes, banho e peguei a moto para dar uma volta no centro da cidadezinha à noite. Encontrei um casal de amigos que estavam hospedados na mesma pousada e ficamos sentado num barzinho no entorno da praça que claro fica na frente da igreja e é isso ai o atrativo de sábado à noite por lá. Cervejinha e uns espetinhos.

Depois da boa noite de sono, café repleto de frutas, energias recarregadas, moto ainda carregada, pois assim ela passou a noite na rua, sem preocupações, acelerei em direção a base da Cachoeira Casca D’anta. Foram 40 quilômetros intermináveis de muita poeira, estrada de terra seca e aceleração forte, pois meu objetivo era no mesmo dia chegar a Brumadinho. Essa cachoeira é a maior de todo o Rio São Francisco, com 186 metros de queda, e muito interessante pois eu estive na foz do mesmo rio, em Alagoas, quando rodei de moto pelo nordeste e realmente é um rio muito extenso com 2.863 quilômetros, cruzando vários estados.

Algumas paradas para fotos das escarpas da serra com um visual maravilhoso, chego na portaria onde pago seis reais de ingresso e deixo a moto carregada e com capacete sobre as malas. Faço uma rápida caminhada e antes mesmo de avistar a queda já sentia o frescor, o som e o cheiro da água caindo e velocidade. Foi animador, e extremamente gratificante encontrar a cachoeira. Maravilhosa, enorme, gelada, impossível resisitir a um banho no seu poço, onde fiquei algum tempo boiando olhando para cima e curtindo a vertiginosa visão dos 186 metros de queda, aliados ao estrondoso som do impacto com a água.

Voltando para a pousada curti bastante a pilotagem em alguns trechos onde foi possível acelerar na estrada de terra a 90 quilômetros por hora. A Citycom tem se mostrado muito valente e eu muito empolgado no uso off road. Na pousada tomei banho, vesti o equipamento completo e peguei estrada em direção a Brumadinho, distante 310 quilômetros, onde cheguei à noite e os relatos da minha estadia estão no post anterior.

Certamente deixei para trás um atrativo da Serra da Canastra, que seria percorrer todo o alto da serra, com a moto descarregada, curtindo a paisagem do chapadão, já que a nascente do rio em sí não tem nada de atrativo que não seja o marco ou a história. Ter feito todo esse trajeto de mais de 110 quilômetros por estradas de terra com toda carga na moto também causou desconforto na pilotagem e com uma meia hora a mais eu teria retirado tudo e colocado de volta, mas a preguiça não deixou. Sinais de exaustão, dor, calor, impaciência afloram.

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Sim, Inhotim!

Vou pular um pouco a ordem exata dos fatos, pois estou ansioso em publicar a visita ao Inhotim.

Após viajar muito, por muito tempo, ver muitas paisagens, monumentos, cidades e todo tipo de atração turística, tudo que vem depois se torna gradualmente mais comum, monótono e menos emocionante. Lembro-me bem da viagem que fiz por quarenta dias no litoral norte e nordeste do Brasil, quando a primeira praia contornada de coqueiros encheu os olhos, mas depois de ver dezenas semelhantes, se tornou algo comum. Num post seguinte vou tratar dos sentimentos da viagem, pois existem outros fatores, além da repetição, que influenciam nos prazeres da viagem.

Chegar ao Inhotim foi surpreendentemente satisfatório a essa altura da viagem!

Depois que saí de São José do Rio Preto, escolhi o que mais me apetecia em Minas Gerais para conhecer, nesse estado que visitei uma única vez de passagem por sua região leste.

O Inhotim é um espaço acessível, aberto, plural, de fruição estética e cultural; é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). Nele encontramos além de arte contemporânea, botânica e meio ambiente, cidadania e inclusão social, desenvolvimento sustentável e educação.

Localizado em Brumadinho, a 60 quilômetros de Belo Horizonte. Cheguei à cidade e fui direto ao Inhotim, me informei sobre o horário de visitação, com inicio as 9h30, o segurança da portaria me entregou um guia/mapa do parque e já à noite procurei uma hospedagem na cidade. Como meu objetivo era somente o “museu”, nem mesmo descarreguei a moto, na pousada tomei banho, saí para comer um X-salada delicioso por R$3,90, vantagens de cidades pequenas, e voltei para dormir. No dia seguinte tomei café, amarrei todo equipamento na moto, fiz saída da pousada e fui pilotando ao Inhotim de bermuda, tênis e camiseta.

O canteiro antes da entrada já anuncia a beleza do lugar. Bom dia na portaria, indicação de como seguir ao enorme estacionamento e lá deixo a moto a céu aberto, com toda bagagem e capacete por cima do amontoado de tralhas. Retirei só o notebook que deixei no guarda volumes da recepção, gratuito e ingresso por R$28,00. Mas antes de chegar lá, saindo do estacionamento, funcionários do parque recepcionando, indicando a direção a tomar e sempre aos cumprimentos de bom dia e bem vindo. Realmente educação lá não é somente ao estilo de aulas sobre botânica, é também distribuída sem economia e acima do padrão de costumes.

O local é realmente grande e na recepção são oferecidos, por um pagamento a mais, transporte em carrinhos elétricos que ficam transitando pelos pontos de interesse. Esse serviço é gratuito para portadores de necessidades especiais. Aproveitei para fazer um exercício físico e não contratei essa opção.

Mistura de jardim botânico com museu moderno, acho melhor deixar o conceito com eles: “Inhotim é um complexo museológico com sede em um campus de 97 ha, pontuado por uma série de pavilhões que abrigam obras de arte e por esculturas ao ar livre. O surgimento do Inhotim no cenário das instituições culturais brasileiras tem, desde o início, a missão de criar um acervo artístico e de definir estratégias museológicas que possibilitem o acesso da comunidade aos bens culturais. Nesse sentido, trata-se de aproximar o público de um relevante conjunto de obras, produzidas por artistas de diferentes partes do mundo, refletindo de forma atual sobre as questões da contemporaneidade.

Hoje, Inhotim é a única instituição brasileira que exibe continuamente um acervo de excelência internacional de arte contemporânea.

Graças a uma série de contextos específicos, Inhotim oferece um novo modelo distante daquele dos museus urbanos. A experiência do Inhotim está em grande parte associada ao desenvolvimento de uma relação espacial entre arte e paisagem, que possibilita aos artistas criarem e exibirem suas obras em condições únicas. O espectador é convidado a percorrer jardins, paisagens de florestas e ambientes rurais, perdendo-se entre lagos, trilhas, montanhas e vales, estabelecendo uma vivência ativa do espaço.

Novos projetos são inaugurados periodicamente, incluindo obras criadas site-specific para o local e recortes monográficos e temáticos do acervo, fazendo do Inhotim um lugar em contínua transformação”.

Com o mapa em mãos iniciei meu tour já emocionado antes mesmo de vivenciar qualquer tipo da considerada arte moderna, e me referi assim, pois o local e o atendimento já são uma obra rara. O clima, a natureza, a beleza, o som e o cheiro exalam tranqüilidade e paz. Eu queria morar no Inhotim! Esse conjunto valoriza a visita ao Inhotim, que me recuso chamar de museu. As obras interagem com o ambiente e mesmo eu não sendo apreciador costumeiro, nem conhecedor profundo de arte, consegui tirar muito proveito delas. Esse lugar inspira, anima e até arrepia.

Perto da recepção, a primeira obra que visitei foi a de Janet Cardiff, chamada Forty Part Motet, instalação sonora em 40 canais, com duração de 14’7’’, cantada pelo coro da catedral de Salisbury. Impossível descrever todas as obras, mas já na primeira algo me despertou a curiosidade, a forma como as pessoas interagem com a obra. Passei a observar isso em todas e tornou-se realmente outra atração para mim. A maioria não aproveita, não compreende e não interage da forma correta com a obra, entram por um lado da galeria e saem pelo outro sem conversar com os orientadores e também sem ler os detalhes sobre as obras, sobre o autor, que sempre está fixado no começo ou próximo de toda obra, e trás também o objetivo do autor, o que ele quer demonstrar com a obra. Essa leitura é essencial e confesso que sem ler sobre todas as obras eu não teria entendido a maioria.

Logo mais à diante visitei uma obra chamada Através, que está entre as obras de Cildo Meireles nas quais por meio de jogos formais com materiais cotidianos, o artista lida com questões mais amplas, como a nossa maneira de perceber o espaço e, em última análise, o mundo. Trata-se de uma coleção de materiais e objetos utilizados comumente para criar barreiras, com os mais diferentes tipos de usos e cargas psicológicas: de uma cortina de chuveiro a uma grade de prisão, passando por materiais de origem doméstica, industrial, institucional. Sempre em dupla, os elementos se organizam com rigor geométrico sobre um chão de vidro estilhaçado, oferecendo diferentes tipos de transparência para os olhos, que à distancia penetra a estrutura. O convite é que o corpo experimente de perto esta estrutura, descobrindo e deixando para trás novas barreiras. Com sua formação labiríntica e experiência sensorial de descoberta, Através e seus obstáculos aludem às barreiras da vida e ao nosso desejo nem sempre claro de superá-las.

Ao final deste post selecionei algumas fotos, mas não demorei muito, quando lá dentro estava, a perceber que nunca as fotos chegarão nem perto de conseguir repassar o ambiente e nem mesmo retratar o sentimento causado pelas obras, então desisti de fotografar e passei a curtir ao máximo. Essa questão das fotos, por mais qualidade que tenham, não conseguem retratar o sentimento total e verdadeiro do momento vivido, serve somente para os que não estavam lá, percebo que somente eu tiro o proveito delas de forma completa, pois ao vê-las recordo-me do cheiro, temperatura e outros sentimentos do momento vivido no “click”.

Para provar o quanto podemos interagir com as obras, tive a oportunidade de mergulhar literalmente numa delas, de autoria de Hélio Oiticica, que fica dentro da galeria Cosmococa. Nessa galeria existem cinco “quasi-cinemas”. Estas obras transformam projeções de slides em instalações ambientais que submetem o espectador a experiências multisensoriais. Os “quasi-cinemas” representam o ápice do esforço que Oiticica empreendeu ao longo de sua carreira para trazer o espectador para o centro de sua arte e para criar algo que é tanto um evento ou processo quanto um objeto ou produto — um desafio da tradicionalmente passiva relação entre obra e público. Oiticica e D’Almeida criaram cinco “quasi-cinemas” que chamaram Blocos-Experiências em Cosmococa. Essas instalações consistem em projeções de slides com trilhas musicais específicas e usam fotos de cocaína — desenhos feitos sobre livros e capas de discos de Jimi Hendrix, John Cage, Marilyn Monroe e Yoko Ono, entre outros. O uso da cocaína, que Oiticica, discute longa e teoricamente em seus textos, aparece tanto como símbolo de resistência ao imperialismo americano quanto em referência à contracultura.

Os prédios que abrigam as obras são também uma maravilhosa atração, lindos, modernos e em plena integração com o ambiente, inclusive o do restaurante Oiticica. Fome e sede ninguém passa, por mais que você caminhe, pois existem diversos bebedouros espalhados por todo ambiente e opções de alimentação, desde cachorro quente e pizza, ao requintado Restaurante Tamboril, estrela do Inhotim, no qual eu me deliciei completamente, já às 16 horas, com meu peixe favorito, um salmão bem rosadinho preparado da melhor forma possível, o que com bebida e sobremesa tiveram o custo aproximado de noventa reais.

 Estou sentindo como que cometendo uma injustiça enorme, pois citei algumas obras, e tenho tantas outras para tentar descrever, que me deixaram maravilhado, emocionado, mas além da inutilidade das fotos, garanto também que do texto, o que melhor pode ser aproveitado é o que escrevo agora: Vá lá! Confie em mim! Imperdível!

Sob uma garoazinha fina refrescante, recebendo agradecimentos pela visita de todos os lados, caminhei em direção a saída respirando fundo o cheiro de felicidade, escutando o som da paz, guardando na memória a emoção daquele dia. No estacionamento minha Scooter e tudo que deixei solto sobre ela me aguardavam, para com um sorriso indestrutível, do tamanho do mundo, seguir como que flutuando em direção a Belo Horizonte, onde passei à noite.

Site: www.inhotim.org.br

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T-Moto n. 3!

Quentinha ainda, na terceira edição da Revista T-Moto (www.tmoto.com.br) conto à partir da página 90 como foi a minha participação no encontro do HOG (Harley Owners Group) promovido no Clube P12 em Jurerê Internacional.

Estou muito contente com o crescimento da nossa Revista Digital, que este mês tem conteúdo para entreter e informar todo tipo de motociclista e por um bom tempo nas nossas 121 páginas, feitas para todos amantes das duas rodas, pois tratamos de todos os tipos de motos e ainda sobre competições, eventos e aventuras.

A revista eletrônica segue estimulando nossos sentidos de diversas formas, pois fornece possibilidades diversas de interação. Temos neste edição a primeira coluna em forma de vídeo!

Nas páginas 12 e 13 vocês podem concorrer gratuitamente a uma Jaqueta Alpinestars Capetown, vá até lá e saiba como!

Vocês podem ir diretamente na revista clicando neste link: http://www.magtab.com/leitor/262/edicao/2068 e no link do site logo no início deste post você pode conferir todas edições anteriores, das quais tenho a honra de participar desde nossa edição número 1.

Boa Leitura!

 

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Sampa again!

Já perdi as contas de quantos dias passei em São Paulo. Realmente aqui é o centro do Brasil, por onde tudo passa, inclusive eu por diversas vezes. Além de retirar o novo capacete, entreguei a moto na Dafra para que o pneu traseiro cedido pela Metzeler fosse instalado, seguindo todos os critérios técnicos e inclusive o balanceamento da roda, além de  uma nova verificação geral e substituição de óleo de câmbio e motor. O pneu traseiro foi trocado com folga no desgaste, sem arriscarmos chegar ao limite de uso dele. O primeiro que foi trocado lá em Santiago, estava com 21 mil km de uso e esse agora com + – 19,5 mil km. Esse último durou um pouco menos pois foi usado 100% do seu tempo com muita carga de peso, enquanto o anterior rodou um pouco com a moto vazia.

No período sem a City, pilotei pela cidade uma Dafra Apache usada pela marca para fazer testes com peças. Imaginem uma moto judiada e agora multipliquem por mil! Mas tudo funcionando perfeitamente, foi uma excelente e econômica companheira. Retirei a City alguns dias depois limpinha e ainda ganhei da Dafra algumas peças extras para que eu mesmo faça a substituição caso necessário.

Nos dias em Sampa, ainda fizemos mais um encontro com amigos Citycomzeiros lá por Moema e meu amigo e colaborador da viagem, Manoel Moura da Peter Foods me entregou mais Malto-C, para que eu use misturado com água no camel back também cedido por ele. Líquido e mais líquido é a receita do momento. Falarei mais sobre todo equipamento que estou usando e minhas práticas num post seguinte.

O destino Bolívia se apresentava! Levei dois dias decidindo a próxima parada, e também, por estar na companhia e hospedado na casa dos irmãos Figueiral (Marcelo, Ricardo e César), em Moema/SP, um trio que nunca dorme e certamente a mamãe deles instalou bateria Duracel nos meninos. Desde bate papo na boêmia do bairro até campeonato de F1 e Futebol no Xbox360, foram dias diferentes.

No sábado pela manhã estava na Loja Óleo Fácil do meu amigo e colaborador da viagem Dennis Girardi, quando atendo o telefone dele e recebo o convite do nosso amigo e cunhado dele Vinicius Vigela para no caminho do oeste paulistano me  hospedar em São José do Rio Preto. Pronto, assim decidi o próximo destino.

Domingo ensolarado, calorão já me deixando em sofrimento, toda bagulhada empilhada na moto, meio impaciente vou em busca da estrada que sai para São José do Rio Preto, Rodovia Washington Luiz. São 450 km de estrada, bom pavimento, duplicada, pedágios livres, fones 0800 para emergências e daquele tipo que somado ao calor dos infernos me faz quase dormir na moto. De jaqueta e capacete abertos, sem luvas, fui me queimando todo, fazendo uma força tremenda para não dormir até a primeira parada onde encontrei simpáticos motociclistas em suas motos Big Trail.  A conversa e diversas fotos com a turma deu uma animada. Novos amigos feitos, desejos de sucesso e boa sorte concedidos, segui até o próximo abastecimento quando constato óleo respingado na roda traseira e respiro da caixa de ar cheia de óleo. Abri e escorri, mas não acreditei, mais uma vez isso!!!

Segui rodando até São José do Rio Preto, agora queimando de calor, no rosto e nas mãos, tentando não dormir e ainda  com o problema de vazamento de óleo. Com endereço na mão cheguei na casa do Vinicius e da Dani já consultando na internet, anotando endereço da Concessionária Dafra local, e mandando e-mail para a Dafra em São Paulo.

Segunda pela manhã fui rodando até a Konstru Motors, concessionária Dafra da cidade, onde abrimos a moto e constatamos que o vazamento vinha do retentor do eixo traseiro, o que vazava era óleo do cambio. Não tinha a peça  disponível mas é uma peça simples e genérica, pode ser comprada fora. Constatação número dois: em algum momento, numa manutenção anterior, 99% indica que foi em Florianópolis, quando fizemos o mesmo procedimento para trocar os dois retentores do eixo traseiro e dianteiro, torque em excesso foi aplicado na porca do eixo do virabrequim e agora ao retirar essa porca não havia mais rosca no eixo. Fotos feitas, enviadas para a Dafra, sem eixo novo disponível para troca imediata, o que nem assim seria tão imediata, pois seria necessário voltar a São Paulo e abrir todo motor. A decisão foi tentar fazer uma rosca nova sem abrir o motor. Primeira tentativa falhou.

Como se não bastasse, pedi uma moto emprestada para ir para a casa onde estava, me entregaram uma Kasinski Way 125, que saí pilotando bem feliz, pois adoro uma moto diferente, mas dois km depois o pneu furou. Eu parei a moto já sambando pra todo lado com seu pneu linguiça de câmara e comecei a ter um ataque de riso. Olhei pro céu para ver se nenhum objeto vindo do espaço neste momento iria me atingir. Mandei uma mensagem de texto para o Vinicius que vinha do trabalho e me socorreu na esquina onde eu estava sendo fritado pelo sol. Deixei a magrela lá torrando para ver se ela aprende a não me sacanear.

Já era quarta quando um engenheiro da Dafra foi até SJRP para comprar o retentor, fazer verificações na moto, constatar que a segunda tentativa de fazer a rosca do eixo estava indo bem, acompanhar a montagem e realmente concluímos que ir para a Bolívia era impossível naquele estado, que o reparo feito era para rodar ate São Paulo, deixar a moto lá para ano que vem instalar a peça nova.

Apesar de tudo isso ainda me considero um sortudo, pois na casa dos meus amigos havia uma piscina maravilhosa onde eu diariamente refrescava as idéias, antes que até mesmo meus neurônios desistissem da vida difícil que se apresentava.

A Kasinski de pneu furado que deixei numa esquina da cidade, depois fomos de pick-up busca-la. Ao terminar o serviço na City, o responsável por fixar a porca na nova rosca me garantiu que poderia rodar muito e com tranqüilidade, que agora estava melhor que quando nova. Eu tinha então três opções; retornar para São Paulo e parar a viagem neste ponto, fazer o trecho pretendido no Brasil, que seria feito na volta e englobava principalmente os estados do MG e RJ ou seguir para Bolívia.

Sou descrente de qualquer religião e desapegado de todo misticismo, mas qualquer um diria que tem alguma urucubaca indicando para não ir para Bolívia. Em todo momento que estou a caminho uma peça quebra, alguma outra proposta surge, e isso pelas minhas contas aconteceu mais de cinco vezes só nesse ano, nessa viagem com a Citycom. Já estive prestes a entrar na Bolívia algumas semanas antes e recebi uma proposta da BMW, já tive problemas com retentores três vezes e agora com o eixo, entre outras questões pessoais. Então decidi pelo meio termo: abortar a ideia da Bolívia nesse momento, mas não obedecer ao engenheiro da Dafra, e por isso, parti em direção a Serra da Canastra, no estado de Minas Gerais.

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New helmet Zeus

Criança com brinquedo novo fica sempre feliz e assim eu me senti no dia 27 de novembro quando estive na sede da Winner Motors (www.winner-motors.com.br) em Barueri/SP. Fui buscar meu presente! Mais um capacete ZEUS 3000A, no tamanho e cor que eu escolhi!

Saí de lá me olhando no espelho da moto e o reflexo no vidro dos carros e ainda fazendo sinal de positivo para meu amigo Marcelo Figueiral, que também estava de Citycom, para que ele confirmasse o quão lindão fiquei de novo capacete. Estava todo bobo.

Assim como a moto que uso, optei por este modelo de capacete pois quero um uso polivalente. Hoje não consigo mais rodar sem o óculos solar e neste modelo ele tem bom tamanho, não é curto como em outros modelos que experimentei e mantem totalmente a nitidez da visão mesmo quando utilizado em conjunto com a viseira externa.

Para fazer o uso em dias frios, a bavete enorme que realmente veda bem a entrada de vento pelo queixo foi essencial, e agora no verão pode ser removida. Continuo usando, apesar de um pouco mais quente, pois evita a entrada de sujeira, insetos e pequenos detritos. As entradas de ar superiores realmente funciona e a de baixo, que serve para desembaçar a viseira, fica prejudicada pelo excesso de proteção aerodinâmica da Citycom, a enorme bolha impede que a região da entrada de ar inferior receba vento suficiente.

Mesmo se tratando de capacetes touring, escamoteáveis ou flip-up, existem modelos muito mais caros que esse, que tem o preço de venda sugerido logo abaixo dos 700 reais, mas entregam uma qualidade muito aproximada. Não que o preço tenha sido um fator de escolha no meu caso, mas o tecido interno foi. Realmente cada pessoa se adapta a uma marca, modelo e tamanho, mas o tecido interno neste modelo me agrada, construído com tecnologia Cool-Wave, é totalmente removível, de fácil limpeza e não me causa sensação de calor.

A cor é gosto mas ele é branco, que está muito na moto e ainda por cima brilhante e perolizado. A cor branca causa menos aquecimento que a escura e a brilhante é de mais fácil limpeza que a fosca.

Apesar de ainda muito se falar e eu concordar que um modelo de casco integral oferece mais segurança, optei pelo modelo de queixo escamoteável pela praticidade de poder fotografar, me alimentar, abastecer a moto e ainda pedir informações de forma mais fácil, sem remover o capacete. Obviamente se o uso fosse em velocidades acima de 200 km/h ou em pista, competições, usaria o modelo indicado, mas como meu uso é em estrada, com muito cuidado e um eventual acidente será muito provavelmente em baixa velocidade, esse é o capacete ideal.

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Brazilian Days

Meses se passaram em milhares de quilômetros no Brasil. Sobe e desce frenético entre Rio do Sul, Florianópolis, Curitiba e São Paulo. Além de ir ao encontro de tantos amigos, como relatei no post anterior, a Citycom nesse tempo passou uns dias na mão da DAFRA e carinhosamente recebeu uma nova bolha, pastilhas de freio, correia, filtro de ar, óleo de motor e câmbio, proteção do escapamento nova e uma pintura no escape, além de uma revisão e verificação do estado da moto. Até detalhes como a cobertura de uns parafusos foram recolocadas. A constatação foi de que toda a exigência a qual a máquina foi submetida não lhe fez nenhum tipo de estrago ou desgaste acima do natural.

Na semana em que a City ficou em tratamento, a Dafra gentilmente me cedeu uma Dafra Apache 150 com 900 quilômetros. Obviamente eu não poderia dar moleza a mocinha jovem e tratei de sob uma chuvarada imensa acelerar fundo por 740 km contínuos de São Paulo para Rio do Sul/SC. No uso urbano, uma moto de menor cilindrada, menor peso e com câmbio que não seja o cvt da City, facilmente ultrapassa o melhor consumo da scooter que até hoje foi de 36km/l, mas na estrada, um motor pequeno sendo exigido 100% do tempo no máximo, além de entregar um desempenho menor, apresenta um consumo maior. A posição de pilotagem na estrada é excelente, assim como os freios, informações do painel, comandos e manoplas. Entre uma sexta e um domingo rodei aproximadamente 1.600 quilômetros com a Apache.

As saídas da capital de São Paulo me renovam mental e fisicamente. Acostumado com o sul do Brasil, sofro com a poluição sonora, do ar e até visual. O que mais me ajudou foi um squeeze que ganhei da BMW MOTORRAD Brasil, e que anda cheio de água 24 horas. Consumo aproximadamente 2 litros por dia. Tornou-se um ótimo costume que não pretendo abandonar.

Numa das idas de Sampa para o sul, a City apresentou um vazamento ainda na estrada, embaixo do local onde está a correia, que acabou sendo contaminada pelo óleo. A chegada em Florianópolis foi sofrida, com muita dificuldade em arrancar, com a moto carregada, pois a correia patinava no óleo que vazava. Na concessionária Si Motos, constatou-se que um retentor que fica envolta do eixo do câmbio estava quebrado, foi substituído junto com a correia e tudo voltou ao normal. Seguindo para Rio do Sul, 200 quilômetros serra a cima em Santa Catarina, o vazamento voltou e alguns dias depois retornei a Florianópolis na mesma concessionária. Dessa vez o retentor que vazou foi o que fica no entorno do eixo do virabrequim e variador. Substituída a peça, não foi necessário trocar a correia desta vez.

Na serra, uma parada no Mirante da Boa Vista, que fica na BR 282 e em Floripa um final de tarde na Praia do Forte deram mais fôlego para voltar a São Paulo e finalizar os preparativos para mais alguns quilômetros na estrada.

Depois de um pouco de reflexão uma das decisões foi abandonar a barraca e demais acessórios que eu levava. O motivo é simples. Não é prático nem seguro. Preciso da conexão pela internet, banho e um local para limpar e organizar o equipamento. Acampar sozinho em cidades desconhecidas é extremamente perigoso, não consegui distinguir um local seguro de outro inseguro e ainda assim, montado acampamento, fico imobilizado no local, e o objetivo é chegar e explorar os arredores com tranquilidade. A diferença de gasto de um hostel, pousada ou hotel simples para um camping com segurança é pouco e compensa.

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