Moto Adventure #174

Neste mês à partir da página 62 da Revista Moto Adventure com o título de  “O Caminho das Pedras…” algumas de minhas idéias e sentimentos sobre longas viagens de motocicleta foram expostos.

A capa da revista faz jus ao interior com a reluzente Kawa H2 de cento e vinte mil reais e 210 cv.

No recheio  tem muita Itália com uma viagem pelo norte do país, lançamentos Ducati Monster e Diavel, além do teste como novos pneus Pirelli Scorpion Trail II.

Nesse mundo de motociclismo multi-étnico, os pneus Italianos Pirelli foram apresentados no USA montados em motos alemãs, japonesas e italianas. Deve ter sido o troco do meu teste com a americana HD 48 pelas estradas da Itália.

Quem andou perdendo alguma etapa da MotoGp, pode ler um resumo dos acontecimentos e descobrir que quem está esse ano mandando no campeonato é O Dr. Rossi. Ah! Italiano! Será que conquistará o décimo e histórico título? Quero ver!

Estou sentindo agora depois de devorar a revista que nasci no país errado. Esse mês duas rodas com um motor potente no meio tem cores e elas são nesta ordem: VERDE BRANCO VERMELHO

As fotos abaixo são assim ruins mesmo de propósito, é para enxergar as letrinhas somente na revista.

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7 ensinamentos de uma viagem

1 – Importante é o caminho e não o destino

Para motociclistas brasileiros, uma viagem à Ushuaia no extremo sul da Argentina exemplifica bem a diferença entre chegar e viajar, atingir e construir e ainda entre correr e viver. Registrar a tradicional foto ao lado da placa onde os escritos “Bem Vindo à cidade mais austral do Mundo” estão gravados é gratificante, mas não é o melhor. Alguns percebem isso e outros não. Sim, é inevitável a emoção, não estou desqualificando o feito, mas mais importante do que chegar é aproveitar com o mesmo entusiasmo e se abrir a desfrutar com a mesma importância todos os dias que levam até lá. Eles podem ser tão emocionantes quanto, podem mostrar lugares até mais bonitos e permitir fotos até mais reveladoras. A placa final, destino atingido, pode gerar a tristeza do fim de todas as possibilidades ou a sensação de ter vivido intensamente, vai depender de como o percurso entre saída e chegada foi aproveitado. Eu chego até a desconsiderar esses pontos.

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2 – O essencial são as pessoas

Tentei recordar de uma viagem em que eu realmente fiz tudo sozinho, participei de tudo sozinho e que eu lembrasse somente da minha presença nela, e não encontrei. Meu pai me ensinou com arte a pilotar uma motocicleta, foram centenas de viagens juntos, centenas de revistas e livros lidos e corridas assistidas. Start pressionado ele está comigo.  Sendo menos embrionário, o que dizer daquele rapaz lá do posto de combustível de Alegrete que contou também ter os mesmos sonhos, que eu o estava inspirando, que tirou uma foto comigo e depois me enviou, da empresa que me presenteou com uns tantos pares de pneus, daquele rapaz do interior de Goiás que quando eu achei que tudo estava terminado, moto quebrada na noite debaixo de um temporal de céus negros surge do meio da escuridão com uma Titan 125 e me reboca até a cidade mais próxima, da família chilena que me aturou dias e dias em Santiago, dos amigos que disseram vá e dos palpiteiros que disseram que era impossível.  Citando exemplos aqui em letras daria um livro e todos tiveram a mesma importância.

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3 – Ser maior do que seus medos

No cotidiano já temos problemas e nem por isso deixamos de viver, na viagem também teremos, não é por eles que vamos deixar de ir. No caminho eles serão resolvidos, não temos como antecipar todos e garanto que depois de solucionados fica um grande sabor de vitória e mais uma história legal para contar. Pessoas vão ajudar, elas são essencialmente boas. Para amenizar é bom ler livros e revistas sobre o assunto, conversar com outros motociclistas, ver mapas, fotos, fazer um roteirinho e pronto, sem exageros, hora de partir. Muito medo na bagagem aumenta o peso e às vezes até impede de partir.  Meu maior medo sempre foi o de não ir.

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4 – Menos (planejamento) é mais!

Assim como o medo pode impedir de partir, já vi o excesso de planejamento também causar o mesmo problema. Principalmente numa viagem solo a liberdade é um dos maiores atrativos. Levar muita bagagem se tornará cansativo, reservar hotéis pode impedir um caminho diferente que foi descoberto somente in loco, pode obrigar a apressar, sem dúvidas vai gerar uma tensão da obrigação de se manter no roteiro e datas. Isso quase todos já fazemos no dia a dia, na viagem não agende nada, não reserve, não planeje paradas, esteja aberto ao novo, ao imprevisto. Viajei por todo o litoral do Brasil no verão, estava tudo muito cheio, mas sempre achei onde dormir, comer, parar, fazer manutenção na moto, só leva uns minutos a mais de pesquisa, mas a escolha na hora sempre é melhor do que a antecipada.

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5 – Nem só de fotos se constrói uma viagem

Aventureiros, viajantes, os verdadeiros, são generosos, gentis e amáveis. Sempre acenam, param para conversar, saber de onde viemos e para onde vamos, falar da moto do tempo e saber como está o caminho no sentido contrário. Agarre esse momento sem pressa, pois estamos somando a nossa viagem a bagagem da viagem de outro. Sem dúvidas em nossa volta vamos lembrar histórias do colega e ainda vamos contar elas novamente a nossos amigos pacientes que vão nos escutar. No nosso cotidiano não falamos com estranhos, não damos carona, não saímos para conhecer pessoas desconhecidas, não recebemos em casa e nem damos abrigo. Eu fiquei na casa de gente que nunca vi, fiquei horas conversando com pessoas que conheci em poucos segundos sem me arrumar para um encontro, sem me preparar, sem agendar nem telefonar, expondo toda minha essência, fiz amizades, bebi litros de vinho no Chile esperando a neve ser removida da estrada, relacionamentos e amizades construídas em poucos minutos. Alguns me deram mais em poucas horas do que outros durante anos de vida. Sobre as fotos, vejo tantos pulando de ponto em ponto e fotos e fotos, parecem caçadores. A foto só revela uma imagem e muito pequena, concentre-se em sentir o cheiro, a temperatura, a grandeza da paisagem, o vento e sentir o momento, certamente quando você anos depois resgatar aquela foto, será capaz de reviver o momento. Costumo fazer isso antes da foto, ainda dou um piscadinha com meus olhos como se fosse um clique, brincando de registrar na memória, depois saco aquela maquininha que parece até ridícula perto do meu cérebro.

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6 – As necessidades mudam

Fazemos a barba todo dia, quando chove saímos correndo, trocamos de roupa diversas vezes e cuidamos para não repeti-las, comemos em horário definidos, temos uma roupa para noite, outra para festa, outra para trabalho, celular colado no corpo a todo segundo. Temos dia de semana e final de semana. Na semana temos muito que fazer e no final de semana temos que procurar o que fazer. Na viagem a beleza muda de padrão e o barbudo passa a impressão de mais valente, a roupa mais desbotada mostra a experiência que já vem impressa também na alma. Pelo caminho vamos adaptando, logo a chuva deixa de ser um incômodo e passa a ser literalmente o melhor banho do dia, vivemos sem hora, sem data e sem semana. Antes de sair nos preocupamos se vai estar muito frio, quando estamos lá e começa a nevar a felicidade contagia, o homem vira criança, eu, dentro do meu capacete grito, choro, falo e canto. Na cidade desviamos da poça d’água, na viagem enfiamos as botas nela pela travessia de um rio. Quando voltei de meses viajando, eu não queria ir a restaurantes, eu não me angustiava em inventar o que fazer, estava tão satisfeito com tudo isso que o valor de tomar banho e dormir dias seguidos no mesmo lugar, ter momentos sem fazer nada mudou. Hoje tenho menos roupas, não tenho guarda chuva, não uso relógio.

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7 – A beleza dos caminhos mais difíceis

Estava em Tacna no Peru, existiam dois caminhos para seguir ao norte, o que caminho por onde todos seguiam, pois era mais rápido e curto, e outro pelo litoral encostado na espuma do Pacífico. Escolhi o segundo e recebi o prêmio da natureza. Viajando não é o momento de buscar o mais prático e rápido, é hora do diferente, novo, lindo, que vai te dar as histórias, fotos e sabor de superação. Se não estás cansando, estás bonito e limpo como no dia-dia, está tudo dando muito certo, não chove, não neva, não atravessas um deserto, um rio, tem algo de errado com essa viagem. Sempre que vou de Florianópolis à Balneário Camboriu, aumento o trajeto e sigo pela fantástica Interpraias. Quando fazia o trecho de Criciúma para Florianópolis vinha por cima da serra, dobrando o trecho, a emoção, as fotos, as histórias. Não sou do tipo que percorre o caminho para chegar, que corre ao fim. Sim, a beleza está em todas as partes e em todos os momentos. O mesmo caminho pode ser percorrido no sentido norte ou no sentido sul e ele será diferente, ou pode ser percorrido à noite ou de dia, com sol e com chuva será diferente, inverno ou primavera, será mais seco ou mais florido, mas não deixe de ir pelo que parece mais longo, frio, esburacado, ele provavelmente vai te surpreender.

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Moto Adventure #162

A minha Moto Adventure # 162, um dia depois de pousar em minhas mãos já está orelhuda, com digitais em todas as páginas, e com diversos quilômetros rodados, vai comigo para todo canto. Ela está fazendo realmente jus ao nome Adventure.

Comecei a ler pela página 72, na seção Road Test, onde estão as letrinhas por mim alinhadas lado a lado. Elas fazem com que eu sinta como se aquela Harley Davidson Forty-Eight estivesse em minhas mãos novamente. A minha viagem dura até a página 82.

Adoro scooters e invejei o Gian Calabrese, na seção Scooter Test acelerando o BMW C 600 Sport. Esse árduo serviço era para ser meu!

Parei para analisar a equipe de feras que neste mês estão compondo a Moto Adventure e fiquei orgulhoso de estar lá junto com o Marcelo Leite, Marcos Zilli, Gian Calabrese, Trinity Ronzella, Eliana Malizia, Suzane Carvalho, Marcelo Resende e Eduardo Wermelinger. Yahoooo!!! Estou no time dos grandes!

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Merry Christmas!!

O meu natal começou ontem, em duas rodas, sozinho numa estrada cheia de curvas e sob noite estrelada. Entre retas e curvas as vezes tenho vontade de ir, outras de ficar, umas outras tenho vontade de arriscar e outras de aquietar, umas de rir outras de chorar. Natal, aniversário, páscoa, virada de ano e outras datas não tem significado para mim. Não sou religioso e nem faço parte de uma grande família que se reúne para festejar. Não penso que uma pessoa mereça parabéns apenas nas repetidas datas que faz anos, nem que tenhamos que esperar a virada de ano para começar ou terminar algo. Não sou preso ao calendário e nem ao relógio. Se é tradição, então feliz natal aos amigos motociclistas! Feliz natal àqueles que estão longe! Que venha muita luz (do farol), muita paz (da estrada), muitas realizações (de viagens), muitas conquistas (de novas motocicletas). Muito mosquito no capacete e muito barro na bota!

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Harley-Davidson XL 1200X Forty-Eight

Algumas motocicletas da fábrica de Milwaukee permitem que no primeiro olhar compreenda-se o motivo do nome de batismo, como a Fat Boy, a Road King e a V-Rod Muscle. A novidade da família Sportster para os brasileiros, disponível na linha 2014, exige um pouco de conhecimento de história da marca para decifrá-la. Em 1948 pela primeira vez a Harley-Davidson equipou uma motocicleta com tanque de combustível estilo Peanut, traduzindo: amendoim. A Forty-Eight, ou quarenta e oito em português, carrega entre o guidão e o banco, um amendoim, ou melhor, um tanque de combustível estilo Peanut. Capito?

A versão que foi submetida a minha pegada na Itália era 2013, e na “pele” recebeu pintura Hard Candy Custom Coloma Gold, um opcional que requer algum dinheiro a mais para tornar sua garagem mais purpurinada. A Harley explica o motivo da exclusividade na pintura: “começamos com várias aplicações de flocos de 200 mícrons sobre uma base prata, depois envernizamos e laminamos manualmente, mascaramos a matriz e aplicamos a cor Candy para que os flocos possam brilhar. É um processo trabalhoso que proporciona aspecto customizado e premium direto da fábrica.”  Aqui no Brasil, a versão 2014 conta com as carnavalescas pinturas Hard Candy Chrome Flake, Hard Candy Volcanic Orange Flake e ainda as mais tradicionais, mas com nomes não menos pomposos, Morocco Gold Pearl, Vivid Black e Blackened Cayenne Sunglo. Ufa!

Montando na moça, percebi o quanto ela é magrinha, esbelta, resultado do conjunto tanque amendoim, de apenas 7,9 litros de capacidade com motor Evolution V2 a 45 graus, disposto de forma longitudinal, refrigerado a ar e com 1200 cilindradas entregando um torque de até 9,8Kgf/m. Enquanto só olhei, fiquei me perguntando onde estão os 255 quilos declarados pelo fabricante como peso em ordem de marcha, ou seja, pronto para o arrocha, afinal, é isso que importa! Quando fui dar uma manobrada, senti que estão ali os quilos, logo abaixo de mim, muito concentrados rente ao solo, nos 100 mm de distância moto/solo e disfarçados pelos 710 mm de distância banco/solo.

Sou motociclista fanático. Gosto de olhar e admirar a máquina. Quando paro para um refresco, no bar ou posto de combustíveis, sinto-me hipnotizado, paquerando minha companheira, seja ela quem for, de qualquer marca, cor ou idade, parece sempre me olhar convidativa. Ainda olhando antes de enrolar o cabo, noto que ela vem calçada com “sapatões” bem gordos, os Michelin Scorcher, que à primeira vista indicam estar sobrando, com uma imensa área de contato com o solo tanto na parte central como nas laterais, são 150 mm de banda de rodagem na traseira e 130 mm na dianteira, sendo os dois aros, de 16 polegadas. Ótimo! Adoro motos que possuem as duas rodas do mesmo tamanho, raridade numa Harley e noutras do mesmo estilo. Até aqui, no que depender de mim, do motor e dos pneus, vai ser pura diversão. Confesso que o fato de abaixo dos pedais existirem pinos que mais parecem querer alcançar o pré-sal, até me estimulou, sei que não me deixo intimidar pelo frigir metálicos e vou riscar o asfalto italiano.

Com as mãos comecei a tatear os comandos, para que fossemos nos conhecendo melhor, para poder domar ela às escuras, sem necessidade de desviar meu olhar da cinematográfica paisagem italiana. Carrego comigo dezenas de milhares de quilômetros sobre as antigas BMW, que sob meus protestos abandonou seus comandos de setas, um de cada lado, ao qual eu me adaptava muito bem, e para minha felicidade estão presentes aqui nesta americana loira, e eles desligam-se sozinhos depois de alguns segundos. Gosto dos manetes grossos e pretos, dos comandos de setas, start e faróis, que além de muito bonitos são bem ergonômicos. Depois do elogio amaciador de ego vem o soco. Beira o absurdo o posicionamento do único botão, que levei muito tempo para achar, com função de cambiar as informações do painel, entre relógio, hodômetro total e os dois parciais, isso na versão antiga, já que para a versão 2014 está disponível também indicador de marcha e rotações do motor. Ele está localizado atrás do painel, que fica muito distante. Mesmo com meu 1,80 m de altura, preciso largar a mão do guidão por um bom tempo, clicando diversas vezes no botão até encontrar a função desejada, esticando-me e desviando o olhar da estrada. Imagino quanto pior é fazer isso para uma pessoa menor do que eu. Ideal seria um botão junto aos comandos de setas e faróis.

Essa donzela é do tipo que realmente passou longe de ler o Kama-Sutra, e se leu não gostou, escolheu uma posição só, bem agressiva, sem possibilidades de variações. Montando nela percebi que nossas aventuras seriam numa posição tipo “V”, olhando lateralmente, fico com as pernas avançadas e devido ao guidão baixo e distante, os braços também. Não é uma scrambler onde se pilota mais em pé, e nem uma café racer, onde se pilota com as pernas posicionadas para trás. O que é? O que é? Importa isso? Diante do mar de motocicletas que temos à disposição hoje, tornou-se impossível classificar motocicletas como antes, temos verdadeiras misturas de todos os estilos. A inspiração da Forty-Eight veio dos veículos Hot-Rod. Segundo a Wikipédia, “Hot Rods são carros geralmente das décadas de 1920, 1930 e 1940 modificados. As modificações geralmente incluem rodas largas atrás, já que os carros eram praticamente todos de tração traseira, pintura com chamas geralmente feitas a partir de aerografia e pinstriping, e motores potentes, na maioria das vezes V8. Muito Populares nas décadas de 1940 e 1950, fazem sucesso até hoje entre os entusiastas automotivos.”

Quer dizer então que ela é inspirada em carros rebaixados? Perceptível pelos 10 centímetros que separa ela do solo. E como não poderia deixar de ser, pelos aproximadamente 9,2 centímetros de curso na suspensão dianteira e 4,2 na traseira, com regulagem de pré carga da mola disponível.

Já me disseram que falo demais.  Justo eu que falei da tal “pegada”, estou aqui no maior papo furado. Então lenha na caldeira! Chave conectada lá bem depois do botão do painel, ao lado da caixa de direção, coisas que só a Harley faz para você e precisa mais do que um Mastercard para comprar, dedão direito cravado com força no start e dou vida para a casa de máquinas. Agora é enrolar o cabo! O som “clanc” ao engatar a primeira avisa, depois da chave, que estou de Harley.

Vamos juntos sob um intenso luar a rodar pelo entorno do Lago di Garda. A brisa nos refrescando numa noite de verão italiana, faz com que realmente tudo fique maravilhoso, dispersam minha atenção de qualquer botão ou falta de curso de suspensão, vou rodando como se estivesse flutuando, no asfalto perfeito, apaixonado, rezando para nenhum mosquitinho bater na minha cara e me despertar. Noite perfeita.

Dia seguinte, hora de acelerar na auto-estrada em direção a Veneza. Já previa que seria entediante, mas ao contrário de rodar no trecho curto à noite, o dia na estrada mostrou que realmente a moça é tipo uma pin-up, de saltos enormes, com ódio de pegar vento nos cabelos. Mesmo com o consumo variando entre 20 e 21 quilômetros por litro, ótimo para uma moto de 250 quilos e 1200 cilindradas, o tanque de 7,9 litros realmente prova que ela nasceu para rodar pouco. A posição de pilotagem, que na noite anterior achei bem invocada, agora revelou o que eu já previa. Tornei-me uma espécie de pára-quedas. Todo o vento, que agora não é brisa, mas um bafo quente, empurra-me para trás. Começa uma briga. Primeiro eu contra o vento, pois ele empurra até a sola do meu pé, depois eu contra a moto. A estrada está entediante e então quero acelerar para vencer a distância, mas também quero ir mais devagar para não sofrer com o vento.

A luz de reserva acende logo após usar meio tanque da gasolina. Essa luz acende tanto que os lugares mais visitados são os postos de gasolina, caso o uso da Forty-Eight seja um percurso com algumas centenas de quilômetros. Isso é um Hot-Rod então, algo com rodas, feito para ir até um ponto bem próximo e parar, ficar parado com muito estilo, sem nem dar tempo de nada ficar muito “hot”, apesar de ter um motor grande, para andar devagar, no máximo curtindo umas belas retomadas a partir de um giro baixo.

Ela é ciumenta e nasceu pronta para dar prazer somente para seu piloto, tem pedais e banco só para ele, mas como toda Harley que se preza, tem no seu catálogo de acessórios, além de banco e pedais para garupa, uma infinidade de outros itens.

O V2 empurra fácil através dos 160 km/h, mas o que gosto mesmo é de na saída botar uma marcha sobre a outra, até a quinta e última, brincando de acelerar a partir dos 60 km/h, fazendo tremer, enrugando o asfalto, sentindo o torque. O motor não transmitiu muito calor para minhas pernas e nem mesmo me fez sentir incomodado com vibrações.

Muitos passeios, auto-estrada e agora chegou à hora de subir os Alpes. Experiente, fui buscando as belas estradas vicinais, podendo obter mais prazer na pilotagem até alcançar a cadeia de montanhas do norte da Itália. Cheguei lá já com aproximadamente dois mil quilômetros de convivência, e tendo explorado os limites nas curvas, o que não é nada difícil, mas fiz uma chata constatação. Para a esquerda inclino sem sustos, deixando o pino da pedaleira empurrar ela para cima ao mesmo tempo que chora riscando no chão. Para a direita, logo após o pino da pedaleira tocar o asfalto, o parafuso da braçadeira da ponteira do escapamento toca o chão, e por tratar-se de uma peça rígida, faz a brincadeira acabar ali, exigindo cuidados para não bater forte ou trancar, efeito ampliado quando se leva uma garupa. Os pneus sobram em conforto e estabilidade.

Os freios certamente estão de acordo com o estilo Hot-Rod, suficientes para o uso tranqüilo para o qual a moto foi projetada, mas como se trata de item de segurança, a todo momento eu recordava do Brembo com ABS e linhas de freio em malha de aço que equipam a V-Rod Muscle, e que a Harley como já fez a BMW, poderia generalizar na qualidade de todos os modelos, incluindo eles em toda a linha. Gosto do freio que morde de forma mais brusca e imediata, sobrando potência, deixando para o ABS corrigir meus excessos.

Fantástico poder saborear os encantos e as fraquezas dela, afinal qual motocicleta não as tem? Numa daquelas paradas para fotos e troca e olhares, observo que ela é uma motocicleta escura, cheia de peças negras, estas também com pintura impecável, tendo apenas os cromados do escapamento e do bocal do tanque para lustrar, aliás, este último te convida a ser polido a cada parada, onde nossa digital teima em ficar impressa.

Depois de milhares de quilômetros com a 48, com dor na bunda e nas costas, meio raivoso com o tanque pequeno, não a culpo. Nunca esperei conforto, e isso não é um defeito, ela é sim uma motocicleta com seu estilo próprio e assim deve ser entendida. Tudo nela está condizente com sua proposta, a posição radical, o visual hipnotizante, o tanque pequeno. Só está sobrando motor, mas por tratar-se de um brinquedo caro ele acaba sendo bem-vindo, nos dando o prazer de enfiar à mão e sentir o poder entre uma esquina e outra. Acredito que a linha Sportester seja uma das mais customizadas, mas nesse modelo a Harley deixou os fabricantes de peças paralelas e acessórios com um trabalho mais difícil. Ela já vem pronta, inclusive com os espelhos posicionados por baixo do guidão.

Lá nos 1.600 quilômetros a revisão foi feita na concessionária e minha única solicitação foi posicionar as molas traseiras com carga máxima. Com carga abaixo da média e garupa, o fim de curso é constantemente sentido. No serviço, não me agradou o alto custo e o fato de não ter sido feita uma limpeza.

Depois de tudo, todas as conclusões sacadas, estão achando que para encerrar fui para um bar próximo à beira do lago tomar muita cerveja? Quem já não teve uma namorada que depois de alguns dias juntos te fazia ter certeza de que nada queria com ela, mas alguns dias separados te fazia morrer de saudade, que brigavam, mas na cama tudo se resolvia e ali já trocavam juras de amor eterno. Leandro e Leonardo cantam: “Perguntaram pra mim / Se ainda gosto dela / Respondi tenho ódio / E morro de amor por ela / Hoje estamos juntinhos / Amanhã nem te vejo / Separando e voltando / A gente segue andando / Entre tapas e beijos / Eu sou dela ela é minha / E sempre queremos mais / Se me manda ir embora / Eu saio lá fora / Ela chama pra trás / Entre tapas e beijos / É ódio, é desejo / É sonho, é ternura / Um casal que se ama / Até mesmo na cama / Provoca loucuras / E assim vou vivendo / Sofrendo e querendo / Esse amor doentio / Mas se falto pra ela / Meu mundo sem ela / Também é vazio”. A loira parece ter o dom de manter nas minhas memórias só os momentos maravilhosos e me convidou para sair de novo e vivermos ainda mais aventuras. Saímos para 14 horas pilotando e atravessando leste a oeste a Toscana, tocando o Mediterrâneo, na costa oeste, depois de ter tocado o mar Adriático dias antes na costa leste da Itália. Entrei madrugada à dentro cruzando montanhas na noite negra sob a copa de imensas árvores, só encontrando me entregando a uma cama e uma garagem passadas às 3 horas da manhã.

Problemas? Nenhum! Nem mesmo uma lâmpada queimada, nem pneu furado, nem problemas mecânicos muito menos elétricos. Na garagem, sujo, cansado, molhado, suado, mas com sorriso largo no rosto olho para ela e quase que escuto ela dizer: “instale um posto a cada 100 quilômetros e te dou o mundo, se você resistir!

Então toda paixão vale à pena! Só quem viver com ela centenas de quilômetros saberá quantas emoções ela pode proporcionar. Comigo foram muito mais do que Forty-Eight!

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Programação de Velocidade!

Para quem gosta de velocidade ai vai a programação deste domingo.561896_504931809602462_1304467882_n

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T-Moto n.6!

Visão distorcida? Estou sob efeito de alguma substância que altera meu estado psíquico? Será que só eu enxergo um coração na capa de uma revista especializada em motociclismo? Descobri! É o modo de ver do motociclista fanático! O coração também bombeia, precisa de energia, tem tubos, faz barulho, gera energia, bate aproximadamente 110 mil vezes por dia, como um motor que gira milhares de vezes por minutos, bombeia 5 litros de sangue, como um motor que também bombeia alguns de óleo.

Nesta edição da T-Moto trazemos além de muito sobre corações, aliás, motores, muito também sobre o corpo completo e suas partes, como pneus e suspensões. Temos ainda sobre onde elas andam, as motos lógico, ou deveriam andar mais, com meus relatos apaixonados pela Serra do Rio do Rastro. Mas que motociclista em sã consciência não se apaixona por ela? Ela já me jogou no chão, molhou, me fez passar muito frio e ainda assim sou capaz de me declarar. Coisas de um coração apaixonado. Vale a pena sim se entregar e ainda pedir para voltar, muitas fotos e emoções vão restar.

Siga por nossas curvas, aliás, páginas: http://www.magtab.com/leitor/262/edicao/5668 

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Na Pró Moto

A edição n. 118 da Revista Pró Moto nos presenteia com mais uma matéria sobre o Citycom 300i e conta com minha participação nas avaliações. Boa Leitura para semana. Está nas bancas.??????????????????????????????? ??????????????????????????????? ??????????????????????????????? ???????????????????????????????

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Dias das mães no Facebook

Relembrar os bons momentos não é uma frase que transmita com precisão o que aqui hoje relato. O presente que eu e minha mãe recebemos neste dia das mães,  compartilhou com nossos amigos e colegas motociclistas, momentos fantásticos e inesquecíveis que vivemos sobre duas rodas.

A BMW Motorrad Brasil publicou em sua página no Facebook, 22 fotos da nossa viagem à bordo da BMW R 1150 GS, por 40 dias, 14 mil quilômetros pelo Brasil e um resumido relato, que foram curtidos e comentados por centenas de pessoas. Podem ser acessadas nesse link, para os usuário da rede social: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.549706181718819.1073741858.109037629119012&type=1

O Beemers, grupo de proprietários e amantes tanto do motociclismo como das motocicletas BMW, também partilhou a aventura nesta data através da sua página na rede, que pode aqui ser apreciada: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=347150958740188&set=a.249378818517403.55268.249239935197958&type=1&theater

 

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T-MOTO N. 5!

No quinto mês de 2013, nasceu a quinta edição da Revista T-MOTO. Este mês estou todo orgulhoso pois divido o espaço com Valentino Rossi, que esteve no Brasil e estávamos lá na pista com o campeão. Seguimos ecléticos e temos para este mês a fantástica naked Speed Triple, a versátil NC 700 X e outras super máquinas, além de muita técnica, segurança e turismo.

Claro que a primeira parada tem que ser na Coluna do Márcio, é só clicar sobre a foto que está no sumário.

Todo o conteúdo pode ver lido gratuitamente em: www.magtab.com/leitor/262/edicao/4449

Todas as edições podem ser aqui conferidas: www.tmoto.com.br

 

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